S. Fernando III, rei de Castela
Com a reunificação dos reinos de Castela e León, Fernando tornou-se rei em 1217. Era conhecido como “Conquistador de Andaluzia”, por ter liberado Sevilha e Córdoba dos sarracenos. Construiu a catedral de Burgos e ampliou a universidade de Salamanca. Foi canonizado pelo Papa Clemente X em 1671.
S. Joana d’Arc, virgem
Joana D’Arc é representada sobre um cavalo, com uma enorme armadura de ferro, quase que esmagando a sua figura franzina ou então amarrada em uma coluna, enquanto as chamas e a fumaça a consomem. Há seiscentos anos, são estes seus dois ícones: uma guerreira vitoriosa e uma “bruxa” moribunda. Nestas duas imagens estão condensados seus 19 anos de vida: a menina, nascida em 6 de janeiro de 1412, em Domremy, nordeste da França, que ajuda sua família em casa e nos campos, mal conseguindo rezar, foi aquela que, aos 13 anos de idade, ouviu “vozes” do céu e se sentiu envolvida em um grande projeto.
De “louca” a “donzela”
“Livrar a França” e proclamar Carlos VII, rei da França: esta missão foi-lhe incumbida – disse Joana D’Arc, primeiro, aos pais e, depois, às autoridades – pelas vozes do Arcanjo Miguel, de Catarina de Alexandria e de Margarida de Antioquia… que ela ouviu claramente. Tais vozes foram, logo, criticadas como brincadeiras de uma analfabeta, de olhos esbugalhados.
Porém, quando aquela jovem, de 17 anos, que fugiu de casa, predisse, com exatidão, uma derrota da França contra os invasores britânicos, as suas “fantasias” adquiriram maior valor.
Ao ser examinada por alguns teólogos, que a interrogaram sobre a sua fé, Joana foi posta à frente de um exército, que marchou para Orléans e a circundou. Em apenas oito dias, aconteceu um prodígio, em termos militares: os ingleses foram, várias vezes, derrotados na batalha, onde a audácia da “donzela” foi incomparável. Orléans foi libertada e, em 17 de julho de 1429, atingiu o auge da sua glória: Carlos VII foi coroado em Reims e, ao seu lado, Joana d’Arc, com seu estandarte.
Os dois inimigos
No entanto, duas forças opostas e similares conspiram contra a donzela: de um lado, os ingleses, que não aceitavam ser derrotados por uma jovem; de outro, os próprios franceses, generais e clérigos, que não queriam ser suplantados pelo mesmo motivo.
Por isso, enquanto Joana D’Arc guiava a libertação de Compiègne, a ponte levadiça foi levantada, antes que ela pudesse se livrar. Assim a jovem foi capturada pelos borgonheses.
Era o dia 23 de maio de 1430. Após dois dias, a Universidade de Paris pediu aos membros da Inquisição que a jovem fosse julgada por feitiçaria. Carlos VII fez bem pouco para libertá-la e, no dia 21 de novembro, Joana D’Arc foi entregue aos ingleses.
A alma não queima
O processo começou em Rouen, em 9 de janeiro de 1431. Cerca de cinquenta homens, entre os mais cultos da França e da Inglaterra, julgaram a donzela. Bispos, advogados eclesiásticos, prelados de vários níveis fizeram-lhe uma interrogação pormenorizada sobre as acusações de imputação, idolatria, cisma e apostasia. A sua fé, suas roupas masculinas, as misteriosas “vozes” foram objeto de duras acusações e falsas reconstruções, às quais Joana, quase sem nenhuma instrução, respondeu com coragem e precisão. Perguntaram-lhe, entre outras coisas, se ela estava na graça de Deus e respondeu: “Se eu estiver, Deus me protegerá; se não estiver, que Deus me permita tê-la, pois prefiro morrer a não estar na graça de Deus”.
O julgamento de Joana D’Arc terminou no dia 24 de março: a heroína da França foi considerada uma herege e devia morrer. Assim, em 30 de maio de 1431, ela foi obrigada a subir na fogueira, preparada na praça do Vieux-Marché, em Rouen, onde morreu queimada viva, com os olhos fixos na grande cruz, que o frade Isembard de la Pierre havia trazido para ela.
A Igreja reabilitou, solenemente, Joana d’Arc, em 1456. Pio X a beatificou, em 1910 e, dez anos depois, Bento XV a canonizou.
S. Dimpna
Santa Dinfna, celebrada pelo ‘Martirológio Romano’ no dia 30 de maio, é considerada a santa padroeira das pessoas com distúrbios mentais e neurológicos, dos lugares de cura e profissionais médicos, que cuidam deste tipo de pacientes, mas também das mulheres vítimas de incesto e violência.
Há vários santos padroeiros de pacientes com depressão: Santa Filomena, Santa Margarida de Cortona, Arcanjo Rafael e São Luís Martin, pai de Santa Teresa de Lisieux. Mas a primazia cabe a Santa Dinfna, que viveu no século VII.
Segundo uma lenda, que remonta ao século XIII, Dinfna era filha de um rei pagão irlandês, que, ao perder sua esposa, que era cristã, queria substituí-la por sua filha.
Dinfna tinha 14 anos quando sua mãe morreu e foi batizada secretamente. Para se afastar de seu pai, aconselhada pelo Padre Gerebernus, seu confessor, decidiu fugir, por via marítima, encontrando refúgio na floresta de Geel, território da atual Bélgica. Ainda de acordo com a lenda, seu pai conseguiu alcançar os fugitivos e, diante de uma enésima rejeição de sua filha, mandou decapitar primeiro Gerebernus e depois também Dinfna.
Descobertas arqueológicas
Segundo elementos de antigas lendas folclóricas populares, que chegaram até nossos dias, sabemos que ambos teriam sido sepultados em dois sarcófagos brancos dentro de uma caverna. Os fragmentos dos dois sarcófagos, da época pré-românica, e um tijolo com a inscrição “MA DIPNA” ainda hoje são visíveis em Geel. No século XIII, sempre nesta cidade belga, as possíveis relíquias de Dinfna foram trasladadas para uma igreja, que ainda conserva seus restos mortais, enquanto os de Gerebernus são venerados em Xanten, Alemanha.
Dinfna, padroeira de pessoas com doenças psiquiátricas
Inúmeros milagres ocorreram no lugar do martírio de Dinfna, inclusive a cura de pessoas com doenças mentais ou endemoninhadas. As relíquias de Dinfna também eram milagrosas.
Com efeito, segundo a lenda, seu pai infeliz teria assassinado a jovem filha durante um ataque de loucura, por estar possuído pelo demônio. Por isso, a Santa começou a ser invocada como padroeira dos doentes mentais, endemoninhados, epiléticos e sonâmbulos. Seus símbolos são a espada, que a decapitou, e o demônio acorrentado aos seus pés.
Os habitantes de Geel acolhem os doentes em casa
Na Idade Média, devido às frequentes peregrinações, chegava a Geel numerosas caravanas de pessoas com doenças mentais, tanto que foi construída, em 1286, uma casa de acolhimento.
No entanto, por causa do crescente aumento de doentes, as autoridades eclesiásticas dirigiram-se diretamente aos cidadãos de Geel, pedindo-lhes para compartilhar seus esforços e ajudá-los a dar assistência aos pacientes. Por isso, as famílias da cidadezinha começaram a acolher e a assistir os peregrinos em suas casas. Desta forma, em termos modernos, os doentes eram desinstitucionalizados pela sua participação na vida social do país.
Este tipo de antecipação das “Casas família” modernas constituiu um acontecimento importante para a história das terapias e da caridade cristã. Ali, no século IX, foi fundado um verdadeiro e próprio instituto psiquiátrico. Ainda hoje, em Geel, há uma prática de cuidados avançados, por exemplo, envolvendo os pacientes em atividades manuais, durante o dia. Até hoje, muitas famílias da localidade ainda têm o costume de acolher uma pessoa doente em sua casa, como se fosse um filho a mais, um parente ou um amigo.